domingo, 3 de fevereiro de 2013

AARIN CHU – PRESENTE


Com a idade, fico até com medo do Alzheimer, esqueço cada vez mais freqüentemente o nome de pessoas que me são caras e de outras que são famosas e até pouco tempo estavam na ponta da língua. Por isto acho muita graça em lembrar do nome de uma colega da primeira à quarta série do ginásio, chinesa, ou filha de chineses, chamada Aarin Chu.

Como já relatei em uma colaboração anterior, fiz o curso ginasial, isto é, estudei durante quatro anos (fui reprovado na quarta série) no Instituto Estadual de Educação "Professor Alberto Conte", em Santo Amaro, como também já contei. Naquele tempo, como alguns já sabem, era preciso prestar exame de admissão ao ginásio, uma faca de dois legumes pois, se de um lado denotava a falta de vagas para todos, elitizando a escola pública já no chamado 2º grau, ao mesmo tempo, obrigava os que conseguiam entrar, e mesmo os que não conseguiam, a prepararem-se melhor.

 Só para tirar a má impressão de vocês quanto ao meu confessado esquecimento, e não para me gabar, de jeito nenhum, passei no exame de admissão em 14º lugar com média 7,28.

Mas voltando. Estudei com Aarin Chu durante quatro anos, e durante quatro anos ouvia, em todo o início de aula, a professora chamár –Aarin Chu! e ela responder – Presente!

Podem não acreditar, eu mesmo não acreditaria, mas durante todos estes anos eu e a supracitada colega nunca nos encaramos; nao me lembro de tê-la observado de frente. E olhe que não a estou culpando, absolutamente. No máximo podemos "dividir a culpa" – ela, por timidez certamente e eu, constato hoje, um tanto consternado, porque nunca me passou pela cabeça aproximar-me dela. Preconceito? Com toda a certeza. E este mútuo isolamento se deu de forma ainda mais facilitada porque ela sentava na primeira fila. Mas mesmo os CDFs, como era chamada a turma do gogó, privei da amizade de alguns deles.

Nos dois primeiros anos, creio que porque não havia outros nomes iniciados com A, me passou despercebido o duplo A do nome dela. Na terceira Série, no entanto, veio uma moça transferida (Alice ou Ângela), e a Aarin continuou sendo a primeirona da lista de chamada.

 Achei que a ordem alfabética da chamada estava sendo desrespeitada. De novo, em vez de perguntar a ela, fui olhar no diário de classe da professora e me deparei com o "Aa" que fazia o nome dela ser sempre o primeiro por ordem alfabética, a não ser que alguém conheça uma "Aabin" no mesmo contexto.

Quis o destino (Deus?) que eu viesse a guardar na memória uma pessoa das mais improváveis. Fico pensando: ao segregá-la, mesmo inconscientemente, da maneira que fiz, quem sabe se não saí perdendo uma boa amiga

AARIN CHU, esteja você onde estiver, saiba que estará sempre PRESENTE na minha memória. E de lá receba um carinhoso beijo, embora atrasado, do Joca Oeiras.

Joca Oeiras

Nenhum comentário:

Postar um comentário