domingo, 3 de fevereiro de 2013

O CASAMENTO DA MÚMIA

Na minha pesquisa de fatos ocorridos nos bancos escolares lembrei-me de uma certa, digamos, pusilanimidade em que incorreram, tenho certeza, não apenas eu e  a minha turma, mas gerações sucessivas de alunos de uma certa professora de História do Instituto de Educação Professor Alberto Levy, onde estudei de 1963 a 1967. Aliás, pusilanimidade que até, muito provavelmente, acaba isentando a tal “professora” de qualquer responsabilidade maior.

Tinha o apelido de Múmia, diziam alguns, por causa da quantidade de “pankake” que recobria seu rosto, e esses “alguns” tinham completa razão. Mas se alguém a chamasse de múmia mais no sentido “espiritual” da palavra ninguém acharia que estava exagerando.

Das aulas da Múmia me sobraram, apenas, três lembranças:

A primeira era o nome do livro “História da Civilização Ocidental” que ela lia, parágrafo por parágrafo, ponto por ponto, vírgula por vírgula, ano após ano e, mesmo assim. não me lembro com certeza das iniciais do nome do seu autor. Nós o chamávamos Barnes, Burns em inglês. Acabo de olhar no Google, e se trata de Edward Mcnail Burns (E. M. Burns). Posso lhes assegurar que trata da “História da Civilização Ocidental” seja lá o que isto queira dizer.

A segunda é um episódio hilário mas que dá bem a dimensão da falcatrua mútua em que vivíamos, classe e professora. Numa prova em que a cola era a regra, e até meio descarada, em vez de fazer cola em papeizinhos, como fazia a maioria, trouxe um vetusto caderno de rascunho grosso como o diabo. Em meio à cola, nem percebi (não era habitual) a Múmia veio em minha direção. Tentei enfiar, gentilmente o caderno debaixo da carteira, não entrou, tentei forçar a entrada, sem sucesso, então soquei o danado com as duas mãos, como se estivesse lutando box, o que, além do barulho, provocou risadas em todos os colega á minha volta... mas a múmia nada ouviu nem percebeu e eu pude terminar a prova como se nada tivesse acontecido!

A terceira é, para mim, completamente inexplicável: De repente aparece no quadro de avisos: Fulana de Tal (Múmia) comunica a todos o seu casamento que ocorrerá no dia tal...os noivos se despedem na igreja. Ninguém conseguia acreditar!
– Como é possível alguém se sujeitar a acordar ao lado desta mulher? E esta foi, garanto, uma das menores maldades que se produziram. A coisa se complicou, ainda mais, quando, uma semana depois do casamento, nos é anunciada uma licença prêmio concedida à nubente e, mais ainda, que seu marido, também professor de História, a substituiria. A primeira aula do marido da múmia teve enorme concorrência: praticamente veio todo mundo. Aí o professor entra na sala e diz, com a maior cara séria: abram o Burns na página tal..Ninguém resistiu...Múmio! Foi o grito entoado em uníssono.

Joca Oeiras

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