O
primeiro dia foi bem traumático para uma criança de seis anos. As aulas já
haviam começado, meu pai recém-transferido, eu sem uniforme, aluna
nova...Fiquei com tanta vergonha que não conseguí levantar da mesinha de quatro
lugares e fiz xixi na calça. Diante daquela poça um amiguinho chamou a
"tia", que foi muito carinhosa, falou que eu podia pedir para ir ao
banheiro...Os coleguinhas foram implacáveis: Virei a "Maria-Mijona"!
Moramos
cinco anos em Resende e praticamente terminei o "primário" no Olavo
Bilac. Lembro-me das sabatinas de tabuada e conto para minha filha que não
conheço outro método mais eficiente: DECORAR a bendita!
Toda
semana entrávamos "em forma" para o hasteamento da bandeira e para
cantar o Hino-Nacional, que naqueles anos de Ditadura, vinha impresso em todos
os cadernos que recebíamos, de graça, junto com o material didático.
Minha
mãe era professora da Escola e eu achava o máximo. Ela era
"linha-dura", a turma dela vivia de castigo, sem recreio.
Algumas
meninas invejosas as vezes me chamavam para brigar. Marcávamos hora e local,
durante o recreio. Só que quem aparecia era minha irmã do meio, somos três
filhas, que mais parecia uma lutadora de "kung-fu". Eu só via a
poeira subindo e cinco minutos depois minha irmã saindo triunfante, a
adversária empoeirada no chão. Topei a briga mas não disse que seria a
lutadora! Nunca mais mexeram comigo. E eu nunca aprendí a brigar...Só mais
tarde!
Depois
nos mudamos para o Rio de Janeiro, cidade que nascí mas deixei com um ano para
morar no Espírito Santo.
Fui
matriculada na Escola Municipal Minas Gerais, na Urca, Praia Vermelha, ao lado
do Pão de Açúcar, lá onde Estácio de Sá fundou a cidade do Rio de Janeiro, onde
fica o Instituto Militar de Engenharia (IME), o Estado Maior do Exército e a
Escola Superior de Guerra. Praticamente todos os filhos de militares estudavam
ali, além da população do bairro.
Nessa
Escola concluí o "primário" até o "Admissão", uma espécie
de preparação para o "Ginásio". No ano seguinte houve a Reforma do
Ensino, acabaram com o Curso de Admissão. Todo mundo ganhou um ano, menos eu e
meus colegas!
E
foi lá, aluna nova, tímida, sem minha irmã Luci para me "proteger",
porque estudava em outro período, que ganhei o apelido de
"Maria-Chorona", "banana pintada" (por causa das sardas),
"tomou sol com peneira " e eu chorava , chorava...Até que me
aconselharam a começar a achar graça, eu comecei a rir ao invés de chorar e as
piadas terminaram...
Lembro-me
que tive minhas primeiras (e únicas) aulas de francês nessa Escola...E do
refeitório que servia lanche e almoço para o turno da tarde!
Saudades
do Minas Gerais. Boa Escola. Fazíamos apresentações nas datas folclóricas e
tínhamos até recitais de poesia. À noite funcionava o "Supletivo",
para os adultos.
Depois,
nova mudança...Desta vez fomos para o Paraná. Meu pai terminou seu Curso e
fomos "tranferidos". Já estava na quinta-série do "ginásio"
e sofrí um bocado...O sotaque carioca era "atração" da Escola, Escola
Estadual Regente Feijó.
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